domingo, 26 de dezembro de 2010

Imortal

Acordou sobressalto.
A vida parecia esvair-se de seu corpo junto ao espesso líquido rubro.
“como fumaça”, por mais que quisesse mantê-la, escapava-lhe entre os dedos.
Tão frágil tão quebradiça.
Sim, sentia partir lentamente.
Um murmúrio fraco escapou de seus lábios pálidos.
-Lis.-
“ninguém nunca o viu chorar”
Mas chorava.
Lágrimas involuntárias escapavam dos olhos.
Lágrimas amargas.
Talvez devido à dor, terrível, tentando arrancar a sanidade, espremendo seus últimos suspiros de agonia.
Sim agonizava.
Os ventos do inferno estão abertos e impelidos.
E os portais do inferno estão abertos e violados.
Os dedos invisíveis da morte pareciam apertar-lhe o pescoço.
Uma voz parecia chamá-lo disfarçada sob o barulho ensurdecedor de metal se retorcendo.
“por quanto tempo mais.”


Lis adentra desesperadamente a grande fábrica em chamas havia dito a ele que esperasse a Lilian e o Sam voltarem, mas era teimoso; saiu à procura dele sem saber a o certo onde estava.
“teimosa determinação.”



Havia muita fumaça que faziam sua vista arder como fogo e lhe sufocar pouco a pouco.

Silêncio.
O silencio mais mórbido que jamais presenciara.
Por quanto tempo reinara aquela absoluta ausência de sons?
Aquela anormal calma, carregada de estranhos presságios.
“desprega-se das futilidades pelas quais lutou.”
Sentia o corpo doer, sabia que não iria durar muito tempo.
-Lis.-

Mais uma vez chamava pela garota que realmente amava.
Um berro ensurdecedor.
Seus olhos começaram a se fechar, mas não poderia partir.
Ouvia uma voz chamar seu nome.
Mas não conseguia responder, a única palavra que saia de sua boca era o nome dela.
Seus olhos começaram a se fechar, mas não poderia partir.
Ouvia uma voz chamar seu nome.
Mas não conseguia responder, a única palavra que saia de sua boca era o nome dela.
Mas ele não poderia deixar esse mundo.
A única coisa mais forte que sua mente era teimosia.
“seria o suficiente?”
Teimosia seria o suficiente para mantê-lo vivo?
Seria o bastante para fazê-lo sobreviver na mesa de operação durante a cirurgia, para fazê-lo acordar do coma?
Ninguém acreditava que ele conseguiria sobreviver.
Mas sobrevivera.
Ninguém acreditava que ele conseguiria resistir ao resgate.
Mas resistira.
Ninguém acreditava que ela seria capaz de manter-se vivo durante a cirurgia.
Exceto uma pessoa.
Uma pessoa que ficou ao seu lado todo o tempo.
Que choro por ele, que rezou por ele, que segurou sua mão.


Ele sabia que não era imortal.
Mas resistira ao Maximo sua partida.
Aquele homem que agora depois de cinco dias após a cirurgia não poderia ser imortal.
Aquele homem que agora ao ver seu irmão, sua amiga e a garota pela qual lutou pela vida, para voltar a ver seu sorriso, não pederia ser imortal.
Mas, ao menos, chegou bem perto.